Criada a subcomissão de combate ao trabalho escravo:
Conforme informou a Agência Senado, em 26 de janeiro de 2009, ficou criada a A Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho Escravo, no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, comissão esta que participou do Fórum Social Mundial, realizado em Belém, em janeiro de 2009.
A criação da subcomissão foi uma das ações adotadas no Congresso Nacional na luta contra a exploração do trabalho escravo. Outra medida adotada pelo Senado foi à aprovação, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), de emenda ao Orçamento da União de 2009 para destinar R$ 200 milhões ao Ministério do Trabalho e Emprego, a serem utilizados no combate ao trabalho escravo e também ao trabalho infantil.
O Senador José Nery (PSOL-PA), presidente da subcomissão, informou que os parlamentares vêm discutindo a possibilidade de criação de uma frente parlamentar pela erradicação do trabalho escravo. Tal frente terá a missão, entre outros objetivos, de pedir à Câmara a aprovação da chamada PEC do Trabalho Escravo.
Frente Nacional
Com base na proposta da PEC 438/2001 de autoria do ex senador Ademir Andrade, atual vereador pelo PSB, na cidade de Belém, Pará, em junho de 2008, houve o lançamento da Frente Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Integram o grupo, representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT); a Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho Escravo do Senado; a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, Degradante e Infantil da Câmara dos Deputados; a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República; o Ministério Público do Trabalho; a Procuradoria Geral do Trabalho; a Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego; a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); a Comissão Pastoral da Terra e outras entidades, como sindicatos e organizações não-governamentais.
A Frente coordena a campanha que visa recolher um milhão de assinaturas em todo o Brasil para pedir à Câmara dos Deputados a aprovação, em segundo turno, da PEC 438/01. Em março de 2008, foi realizado ato público nacional contra o trabalho análogo ao escravo e pela aprovação da PEC 438/01. A manifestação foi realizada em frente ao Congresso Nacional e reuniu mais de mil pessoas, com representantes de 26 entidades, entre elas a OIT, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Via Campesina.
Mais informações sobre a PEC 438/2001
No Senado, a PEC do Trabalho Escravo tramitou com o número 57/99. A proposta foi apresentada pelo então senador Ademir Andrade (PSB-PA) e pretende incluir no art. 243 da Constituição a exploração de trabalho escravo como uma das possibilidades para a expropriação de terras destinadas à reforma agrária. A Carta Magna já prevê essa medida para glebas em que forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas, com assentamento prioritário aos colonos que já trabalhavam na área.
O proprietário da área em que for encontrado cultivo de plantas psicotrópicas ou exploração de trabalho escravo não receberá qualquer indenização e poderá, ainda, receber outras sanções previstas em lei.
Como já ocorre com os bens resultantes do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, que são revertidos a instituições e a pessoal especializado no tratamento e na recuperação de viciados, também os valores apreendidos em decorrência da exploração de trabalho escravo serão confiscados e aplicados no assentamento dos colonos que foram escravizados. Os valores confiscados também poderão ser utilizados no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão ao crime de tráfico ou exploração do trabalho escravo.
A PEC 438/01 já foi aprovada em dois turnos de votação no Senado e em primeiro turno na Câmara dos Deputados, onde aguarda o segundo turno desde 2004. Na Câmara, a proposta recebeu uma emenda para estender o confisco às propriedades urbanas em que for comprovada a existência de exploração de trabalho escravo. Tais propriedades, pela emenda, serão destinadas a projetos sociais.
Outros projetos
Entre as propostas que tratam do tema, está o que visa criar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, a ser celebrado em 28 de janeiro, e a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, que inclui esse dia (PLS 571/07). Essa data foi escolhida porque naquele dia, no ano de 2004, três fiscais do trabalho foram assassinados em Unaí (MG) quando investigavam uma denúncia de trabalho escravo. A proposta foi aprovada em decisão terminativa na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e está em exame na Câmara dos Deputados.
Outro projeto (PLS 207/06), de autoria da ex-senadora Ana Júlia Carepa, governadora do Pará, proíbe pessoas físicas ou jurídicas condenadas em última instância administrativa por terem submetido empregado a condição degradante de trabalho ou a grave restrição à liberdade individual de receberem empréstimo ou participarem de processos de licitação. As restrições previstas na proposta serão impostas por um período de dois anos, a contar da data da condenação administrativa. Em caso de reincidência, as pessoas físicas ou jurídicas ficarão impossibilitadas de contrair empréstimos ou participar de licitação por cinco anos.
A proposta encontra-se na CAS, onde será relatada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Depois de votado nessa comissão, o projeto será examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), na qual receberá decisão terminativa.
Linha do tempo da PEC do Trabalho Escravo
11/10/1995:
Apresentação da PEC 232/1995 na Câmara dos Deputados pelo deputado Paulo Rocha (PT-PA), com o mesmo conteúdo da futura PEC 438/2001.
11/03/1999:
Apresentação da PEC 57/1999 pelo senador Ademir Andrade (PSB-PA) no Senado Federal.
31/10/2001:
Aprovação em segundo turno pelo Senado da PEC 57/1999: 55 votos a favor e nenhum contra. Proposta remetida à Câmara dos Deputados sob o número PEC 438/2001.
06/11/2001:
Como as propostas de Ademir Andrade e Paulo Rocha se equivalem e a PEC 57/1999 já havia sido aprovada no Senado, a proposta de Paulo Rocha (PEC-232/1995) é apensada à PEC 438/2001.
21/11/2003:
Parecer favorável do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
28/01/2004:
Crime de Unaí, em que três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego foram assassinados durante uma emboscada de fazendeiros locais, faz reascender o esforço para a aprovação da PEC do Trabalho Escravo.
03/03/2004:
Câmara dos Deputados instala Comissão Especial para Trabalho Escravo, que vai analisar a PEC 438/01. A ação surgiu de um Ato da Presidência da Casa, de março do mesmo ano, que solicitou que fosse emitido um parecer sobre a PEC em até 40 sessões.
27/04/2004:
O relator designado pela Comissão Especial para Trabalho Escravo, deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS), entrega o parecer pela aprovação da PEC 438.
12/05/2004
Comissão Especial aprova por unanimidade PEC 438.
26/05/2004:
No Plenário da Câmara, se inicia a discussão para a votação em primeiro turno.
11/08/2004:
Aprovação em primeiro turno no Plenário da Câmara: Sim: 326; Não: 10; Abstenções: 8; Total: 345.
01/03/2007:
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado cria a Subcomissão Temporária do Trabalho Escravo.
30/06/2007:
Libertação de 1.064 pessoas da fazenda e usina Pagrisa, localizada em Ulianópolis (PA), provocou um movimento de senadores que atacou a fiscalização e defendeu a empresa. No entanto, o caso acabou por fortalecer o grupo móvel de fiscalização, responsável por apurar denúncias de trabalho escravo. Como uma das repercussões do caso Pagrisa, governo, parlamentares e entidades sociais intensificaram os esforços para aprovar a PEC 438/01.
22/01/2008:
Criação do Movimento Nacional pela Aprovação da PEC do Trabalho Escravo, reunindo entidades da sociedade civil e parlamentares."
Outros sites:
http://www.trabalhoescravo.org.br/conteudo/proposta-de-emenda-constitucional-4382001
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1716
http://recantodasletras.uol.com.br/textosjuridicos/1002527
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pec-preve-confisco-de-terra-em-caso-de-trabalho-escravo,456484,0.htm
Se eleito, em qual área você espera que nosso Dep. Federal Ademir Andrade atue mais?