Entrevista extraída do site do PSB Nacional (www.psbnacional.org.br/entrevistas)
Partido Socialista Brasileiro - PSB
23/09/2009


Ademir Andrade Foto/Divulgação

“Fui vítima de um processo de perseguição política”
Ademir Andrade, atual vereador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), em Belém, foi inocentado pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, por unanimidade, julgaram improcedente o processo que o acusava de abuso de poder econômico e pedia, entre outras questões, a sua inelegibilidade por três anos, além da perda do mandato.
Em entrevista à jornalista Priscila Rocha, do Portal PSB Nacional, Ademir explicou que tentaram lhe imputar culpa por conta do patrocínio de alguns outdoors. “Em função do recebimento destes outdoors, empresas teriam sido beneficiadas pela Companhia Docas do Pará (CDP) Uma conclusão horrível. Os outdoors foram patrocinados, em sua maioria, por pessoas que não tinham vínculos com a CDP”, afirmou.
Apesar de terem vasculhado a vida de Ademir Andrade, não foram encontradas irregularidades. “Aos poucos, estou conseguindo provar minha inocência. Esse processo resultou em muita dor de cabeça e uma exposição pública negativa, que interrompeu o curso de minha vida política no ano de 2006. Vou correr atrás do prejuízo e seguir com a minha missão na política”, concluiu.

Confira a seguir a íntegra da entrevista.
Portal PSB Nacional: O TSE julgou como improcedente o processo que o acusa de abuso de poder econômico no caso da Companhia Docas do Pará. Quais prejuízos para vida política o senhor enfrentou em decorrência do processo?
Ademir Andrade: O que aconteceu na Companhia Docas do Pará (CDP) foi uma barbaridade. Eu assumi a CDP em maio de 2003 e a administrei até março de 2006. Afastei-me para disputar a eleição. Fiquei três anos à frente dessa empresa, que se encontrava um caos. Durante a minha gestão a companhia duplicou a capacidade de movimentação de cargas com ações administrativas e recuperação dos portos. Tudo feito com recursos próprios da CDP. O meu trabalho foi elogiado por todos os segmentos empresariais e entidades representativas ligadas aos portos. Acontece que eu estava preste a ser candidato ao governo do Pará. Resultado, em meados de setembro de 2005, apareceu uma denúncia anônima e apócrifa que encaminharam ao Ministério Público Federal. Este pediu explicações. Mas alguém não deixou o despacho ser cumprido e mandou a denúncia para Polícia Federal iniciando uma investigação com escuta telefônica, vigilância, fotografia. Foram cinco meses apurando os fatos. Em abril de 2006, ano da eleição, foi elaborado um documento solicitando ao juiz que mandasse prender a mim e mais 18 pessoas. A prisão foi efetuada de forma escandalosa. Oito policiais federais chegaram na minha residência seis horas da manhã. Passaram oito horas virando minha casa de ponta cabeça. Levaram 142 pastas pessoais e em 90% delas não tinham nenhuma relação com a CDP. À noite, no Jornal Nacional, o assessor de imprensa da Polícia Federal afirmou para repórter que havia um diálogo meu com um empresário pedindo dinheiro. Fiquei espantado e enlouquecido. Em um programa estadual do PSB fui para mídia e desafiei a Polícia Federal, o juiz federal e o Ministério Público a provarem as acusações.

Portal do PSB: E o que aconteceu?
Andrade: A partir daí virei um monstro. O Ministério Público e a Polícia Federal passaram a fazer uma perseguição atroz. Trouxeram a tona um processo do IBAMA, do qual eu já havia sido inocentado e iniciaram um novo processo criminal. Entraram com 11 ações de improbidade administrativa sobre a mesma questão. Foram para Justiça Eleitoral, moveram um processo por abuso de poder econômico por conta da exibição de outdoors. Eles me multaram pela defesa que fiz na televisão como se eu tivesse feito propaganda antecipada. Hoje pago duas multas, no valor de R$ 75 mil, cada. Eles reviraram minhas contas bancárias. Nada encontraram. Pegaram meu imposto de renda, pastas com escrituras, documentos de carros, enfim, tudo que tenho e não encontraram um único bem que não tivesse devidamente registrado no imposto de renda. Acusaram-me na rádio, no jornal, na televisão. Como não encontraram nenhuma prova material, acharam uma lista de pessoas que financiaram e patrocinaram os outdoors de uma campanha promocional do ano de 2005. Um ano e meio antes da eleição de 2006. Como nessa relação tinham pessoas ligadas a CDP, me acusaram de receber outdoor para fazer beneficiamento das empresas que pagaram pelo serviço.

Portal do PSB: Mas fizeram a acusação formalmente?
Andrade: Essa culpa eu levei, e entraram com uma ação de investigação judicial por abuso de poder econômico por causa dos outdoors. No dia 19 de agosto o Tribunal Regional Federal da primeira região votou não ter competência para investigar, processar e julgar uma empresa de economia mista como a CDP. Isso é competência da justiça comum. O Tribunal disse que tudo que a Polícia Federal e o Ministério Público fizeram foi ilegal e não tinha validade. O ministro Aires Brito, presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], deu parecer favorável a nós pela improcedência da ação, e os outros quatro ministros que faltavam, seguiram o voto. Nós fomos inocentados por sete votos a zero no TSE. Todos os processos criminais foram cancelados, trancados. Apenas o da CDP foi colocado como incompetente à Justiça Federal e mandado de volta para justiça comum, que, com certeza, não dará prosseguimento a esse absurdo. Fui vítima de um processo de perseguição política, de um comportamento aético por parte de um delegado da Polí
cia Federal. Lamentavelmente, os integrantes do Ministério Público Federal do Pára agiram de forma irresponsável. Colocaram-me como chefe de quadrilha, enfim, me trataram como verdadeiro marginal. Mas os processos estão sendo desmontados e minha inocência está sendo provada. A conseqüência foi forte e sofri muito. Tive 700 mil votos para governador nas eleições de 2002. Em 2006, fui candidato a deputado federal e tive 31.000 mil votos. Não consegui me eleger, tudo em conseqüência do massacre que sofri na mídia do Pará e, até mesmo, na mídia nacional.

Portal: Em sua opinião, porque tentaram culpá-lo ?
Andrade: Primeiro porque havia interesses políticos. Segundo, pela minha reação. Eles estão acostumados a prender grandes autoridades no Pará e o acusado entrar mudo e sair calado. Como desafiei, provoquei, chamei de incompetente na prisão, vieram para buscar o que não existia contra mim.

Portal: O senhor declarou não permitir que o escândalo formado silenciasse a verdade dos fatos. Sobre esse aspecto, que conclusões o senhor faz do caso?
Andrade: Tenho uma conclusão negativa. Eu paguei muito caro por enfrentar a situação de peito aberto. Apareci trinta vezes algemado na televisão. Minha imagem perante as pessoas foi denegrida. Mas não me arrependo de ter reagido, pois o povo do Pará, hoje, enxerga a barbaridade que fizeram comigo. Para mim, o Judiciário do nosso país precisa tirar lições do caso. Eu fui indiciado por ser grande figura. Pelo fato de ser político e tê-los confrontado e desafiado.

Portal: Quais são suas pretensões políticas para as eleições de 2010?
Andrade: Dependendo das condições políticas, o mínimo que voltarei a ser é deputado federal pelo PSB. Mas não descarto a possibilidade de disputar o governo do Pará ou o Senado Federal. Isso vai depender da posição do PSB Nacional. Conheço a fundo o meu Estado e não creio que outro político o conheça tanto quanto eu. Passei trinta anos da minha vida lutando por esse povo. Por 20 anos permaneci como parlamentar. Fui deputado estadual em 1978 e ganhei as eleições de 1986, como o deputado federal mais votado. Durante oito anos atuei no senado e duas vezes me candidatei ao governo. Não tenho medo de disputar qualquer cargo político no meu Estado.

Portal: Que mensagem deixaria para os eleitores
Andrade: Para o cidadão ou cidadã, ao ouvir uma notícia, não a aceite como verdade absoluta. É preciso que as pessoas tenham capacidade de analisar a veracidade da informação.


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